Precursor do noir

A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943, direção de Alfred Hitchcock)


Por Rodrigo Oliveira

Não é à toa que Alfred Hitchcock é considerado o mestre do suspense. O longa A Sombra de uma Dúvida é composto por vários elementos que intensificam o cinema de gênero do renomado diretor.

A história acontece em Santa Rosa, cidade da Carolina do Norte, onde a jovem Charlie (Teresa Wright) nem imagina o perigo que está a correr ao convidar Tio Charlie (Joseph Cotten) para se unir à sua família. Mal sabe a garota que ele é seguido por investigadores que suspeitam de seu histórico nada honroso como assassino de viúvas.

Com a obra, Hitchcock pode ser considerado um dos precursores do cinema noir, gênero disseminado majoritariamente na década de 1940. Aqui ele expõe vários elementos desse estilo de filme, ao mesmo tempo em que estabelece uma ruptura com tais características.

Existe o uso recorrente de sombras (herança do Expressionismo Alemão) para mostrar que há algo de errado com Tio Charlie, além da questão da dualidade, já que a sobrinha de Charlie possui o mesmo nome do tio. Os personagens diametralmente opostos colaboram para o clima de suspense, distanciando a obra do maniqueísmo, pois não sabemos, a princípio, se Tio Charlie é, de fato, o assassino das viúvas.

Isso começa a ficar claro quando detectamos o seu incômodo com as fotografias feitas na casa de sua irmã Emma (Patricia Collinge), local onde está instalado. O nome Charlie carrega essa dualidade, o que nos leva a compreender sua função narrativa, estendendo a coesão ao título do filme, que ao conter a palavra “sombra” se associa diretamente à estética noir.

Outros elementos vêm à tona para reforçar a questão da dualidade, como no instante em que Tio Charlie leva a sobrinha de mesmo nome a um bar para tirar maiores satisfações sobre a desconfiança da garota. Lá ele pede um refrigerante para a jovem, mesmo ela dizendo à garçonete que não quer beber nada, e para ele um double brandy. Óbvio que isso não está inserido na cena por acaso, é como se esse double brandy reiterasse o sentido do duplo.

A questão do duplo ainda se manifesta na fumaça negra do trem em que Tio Charlie chega à cidade de Santa Rosa, premeditando algum acontecimento ruim, além de atribuir a ele um aspecto nocivo. Por outro lado, a fumaça que sai do automóvel ligado na garagem, enquanto a jovem Charlie está presa no local, é de coloração branca, expondo assim a antítese do mal, momento do filme em que os personagens já estão mais bem delineados.

Não satisfeito, Hitchcock ainda trabalha com o duplo ao mostrar a jovem Charlie mentindo para a amiga Catherine (Estelle Jewell) para sair com o detetive Jack Graham (MacDonald Carey), alegando estar com dor de garganta. Entretanto, ela é desmascarada quando dá de cara com a amiga na rua, durante seu encontro. Charlie, assim como o tio, é capaz de enganar pessoas em benefício próprio; característica que denota o aprofundamento psicológico presente na obra.

A Sombra de uma Dúvida foge um pouco dos moldes das narrativas de investigação, já que aqui a figura do detetive não carrega desconfiança, pois geralmente é um personagem ambíguo que pode, inclusive, cooperar com os criminosos; no filme de Hitchcock, Graham é um detetive que age dentro dos princípios éticos de seu ofício. Ademais, o longa dispensa a utilização da narração em off e o uso dos flashbacks para explicar acontecimentos, consequentemente tornando a narrativa mais dinâmica.

Com A Sombra de uma Dúvida concluímos que mesmo ao apostar em um formato narrativo mais clássico e tradicional, Hitchcock consegue instigar a curiosidade do público através do significado de suas imagens.

Nota: 8.5

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Onde o Dogma não está

Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000, direção de Lars von Trier)

Por Rodrigo Oliveira

Uma inusitada e conflituosa parceria entre a cantora islandesa Björk e o diretor dinamarquês Lars von Trier resultou em Dançando no Escuro, musical que “desobedece” algumas regras estipuladas pelo Dogma 95, manifesto criado por Thomas Vinterberg e pelo próprio von Trier, cujo intuito era a busca por um cinema mais realista.

No longa, Selma (Björk) possui uma doença genética, que a priva de grande parte de sua visão. A operária acumula uma quantia em dinheiro para que o filho Gene (Vladan Kostig) sofra um tipo de intervenção que o livre de passar pelo mesmo problema. Porém, ela começa a duelar com imprevisibilidades e se vê condenada à pena de morte. Mesmo nessa situação, opta por utilizar o dinheiro a favor do filho.

Colocar música no filme o exclui do Dogma 95, visto que é proibida trilha sonora que não seja captada no momento das filmagens. Von Trier também rompe com as normas na cena em que Björk canta próxima a um trem; ele filma com mais de 100 câmeras – todas fixas – além de usar iluminação artificial nos fragmentos musicais. Mas não é apenas por quebrar as rígidas regras do movimento que Dançando no Escuro estabelece o seu diferencial.

Selma é uma mulher inventiva e adora os musicais hollywoodianos – inclusive Björk canta uma versão de My Favorite Things, canção do longa A Noviça Rebelde (1965). Os momentos em que solta e voz e dança não passam de devaneios sofridos por ela, é como se fossem independentes da narrativa principal do filme, pois servem para permear os instantes de fuga da severa realidade que Selma encara. Fato é que as cenas musicais colaboram para a quebra do clima excessivamente dramático, criando, nesses instantes, um ritmo diferente para a história.

Dançando no Escuro faz uso de números de dança e se inspira em musicais clássicos para a criação do universo da protagonista, contudo a direção de Lars von Trier prima pela originalidade, mesmo quando se utiliza de referências. A quebra com a convenção rendeu frutos em Cannes, prova de que a gigante comoção causada pelo filme reside também onde o Dogma 95 não está.

Nota: 9.5

Exército de nós mesmos

Rei Arthur – A Lenda da Espada (King Arthur – Legend of the Sword, 2017, direção de Guy Ritchie)
Estreia no Brasil: 18/05/2017

Por Rodrigo Oliveira

Alguns filmes sobre o Rei Arthur e a espada Excalibur já foram produzidos ao longo de décadas. Aos que se esquivam de Rei Arthur – A Lenda da Espada por anteverem um possível desgaste na história, antecipo que a forma como Guy Ritchie (Snatch – Porcos e Diamantes, 2000 e Rock’n’Rolla – A Grande Roubada, 2008) impõe a sua assinatura imagética no longa entusiasma um bocado.

Arthur (Charlie Hunnam, da série Sons of Anarchy) é um jovem que vive à margem, percorrendo becos com sua gangue, mas ao tocar a espada Excalibur, ele descobre imediatamente que o seu destino está atrelado ao poder do magnífico objeto que o ajudará a lutar contra Vortigern (Jude Law), responsável por arruinar a sua família.

A altivez das cenas de combate, o som da fúria manifestada que ecoa rumo ao oponente e a meticulosidade dos ruídos a cada golpe de espada impressionam, pois somados esses elementos tornam o longa um registro de imensa exaltação, que só não é exemplar devido a paleta de cores (tons escuros) não se misturar à cinematografia tão vivaz.

Outros momentos nos afetam devido à plasticidade, vide a cena em que Vortigern elimina a vida da própria filha em troca de incomensurável poder para combater Arthur; é como se fôssemos transportados a Hamlet no instante em que Ofélia morre afogada – a distinção é que na tragédia de William Shakespeare isso é apresentado como um provável suicídio.

O filme de Ritchie mostra que inúmeras vezes alimentamos os nossos inimigos interiores, cerceando até mesmo o que não nos cabe, como no caso em que Arthur em seu primeiro contato cria resistência à espada e consequentemente ao poder que ela pode conceder-lhe. Quando mantém Excalibur sob controle, a sua existência enfim possui um significado; ele passa a, de fato, ter um lugar no mundo.

Em seu papel de líder nato, o protagonista assume o posto que é seu por direito, bem como Guy Ritchie que dá vida a um universo desvairado, onde a aventura começa ao associarmos essa história tão ancestral às nossas lutas cotidianas da contemporaneidade, onde se estabelece o crivo de que tal conexão é atemporal quando constatamos, que independente da época, somos o exército de nós mesmos.

Nota: 8

Padecimento sem gradações

Um Homem de Família (A Family Man, 2016, direção de Mark Williams)
Estreia no Brasil: 18/05/2017


Por Rodrigo Oliveira

O trabalho pode nos tragar a ponto de desestruturar outras esferas de nossas vidas. Um Homem de Família, estreia de Mark Williams na direção, toca neste ponto e em alguns outros, mas infelizmente o faz apostando na exacerbação da moralidade a partir da reabilitação de um indivíduo pelo caminho da dor.

Dane Jensen (Gerard Butler) trabalha como headhunter de uma grande empresa em Chicago, tendo como característica um discurso persuasivo para cumprir metas estipuladas e faturar generosas comissões. Todavia, seu lado workaholic é afetado após descobrir que o filho Ryan (Max Jenkins) é portador de leucemia.

Como se já não fosse o suficiente um chefe autocrata, encarnado por Willem Dafoe, Jensen terá que lidar com o estremecimento de sua relação com a esposa Elise (Gretchen Mol), causado pela enfermidade da criança, que além disso torna o seu cotidiano no trabalho implacável.

O modo como as corporações abusam das habilidades de seus funcionários, os meios escusos para conseguir objetivos dentro da empresa e a indisponibilidade para a família, demonizam não apenas o protagonista, mas todo o sistema pelo qual a narrativa transita. Entretanto, o choque se concentra na mudança imediata de Jensen, carregada de extrema polarização.

A tentativa de humanização do personagem contamina a história, visto que vilanizá-lo soa apenas como um subterfúgio para o espectador se apiedar da sequência de amargores que ele irá encarar. Contudo, temas como a ética, a maledicência corporativa e as escassas oportunidades do mercado de trabalho frente a duvidosos critérios de seleção, até então questionados, são dissipados devido à transformação de Jensen em um herói imaculado.

“Câncer não é uma negocição”, afirma Dr. Savraj Singh (Anupam Kher) em breve cena do filme. A impressão que fica é a de que Williams espalha o seu próprio câncer, lê-se sua inexperiência como diretor, a partir do tom manipulador de sua obra, utilizando-o como intrujice aos irrefletidos. Resta a comiseração por parte dos que detectam neste um registro parco de acuidade, que se indispõe cada vez mais ao exibir o seu padecimento sem gradações.

Nota: 4.5

Encontro de gerações

Burlesque (Idem, 2010, direção de Steven Antin)

Por Rodrigo Oliveira

Ao contrário do que foi veiculado na mídia na época de seu lançamento, Burlesque, musical escrito e dirigido por Steven Antin, não é apenas uma tentativa genérica do que num conjunto sequencial remeteria a uma compilação de videoclipes. Além de boas músicas interpretadas por Christina Aguilera, o longa-metragem possui elementos característicos de comédias românticas, isto é, um casal cativante em meio a conflitos bem dosados pelo diretor. Este último apresenta um filme sem grande ousadia, porém funcional.

Christina Aguilera dá vida a Ali Marilyn Rose, garota que abandona o Estado de Iowa em busca de uma oportunidade em Los Angeles. Dona de uma voz imponente, sonha em ganhar a vida cantando. À procura de trabalho, ela se depara com Burlesque, um híbrido de bar e cabaré que promove apresentações de dança. A moça decide se infiltrar no lugar para conquistar a atenção de Tess (Cher, vencedora do Oscar por Feitiço da Lua, 1987), dona do estabelecimento, nem que para isso precise trabalhar de graça na função de garçonete.

A protagonista passa por sérias dificuldades, porém encontra apoio nos braços do compositor e barman Jack (Cam Gigandet), que a acolhe em seu apartamento. No decorrer do filme, ela ganha a confiança de Tess, a amizade de Sean (Stanley Tucci), desperta o olhar de cobiça do empresário Marcus (Eric Dane) e disputa espaço com seu maior desafeto, Nikki (Kristen Bell), principal dançarina da casa até a sua chegada.

Na pele de Ali, Christina Aguilera convence em boa parte da obra ao conseguir tornar críveis os anseios de Ali; anseios esses que poderiam se dissolver facilmente ao se transformarem em desejos idiotizados de uma garota caipira, mas a cantora não compromete com sua atuação, visto também que o papel não é de grande complexidade.

Em termos musicais, o longa é de uma agradabilidade mais elevada, devido ao inegável talento de Aguilera como vocalista e graças a escolha de repertório que inclui canções como Something’s Got A Hold On Me e Tough Lover, de Etta James (principal influência musical da cantora), que ganharam roupagem pop eletrizante, bem ao clima do filme.

Burlesque nos permite desfrutar do encontro de vozes de duas gerações distintas. De um lado, Cher, a veterana com uma carreira bem-sucedida na música e no cinema; do outro, Christina Aguilera, famosa por sua potência vocal. Resta saber se, assim como fez Cher, a cantora se renderá aos encantos da sétima arte, e se sairá em busca de novas empreitadas e, por que não, de novos êxitos.

Nota: 6

Luto e espiritismo

Personal Shopper (Idem, 2016, direção de Olivier Assayas)
Estreia no Brasil: 09/03/2017

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Por Thais Sawada

A parceria entre o diretor Olivier Assayas e a atriz Kristen Stewart em Acima das Nuvens (2014) foi muito elogiada, rendendo a ela o César – considerado o Oscar francês – de melhor atriz coadjuvante. Agora, eles repetem a dupla em Personal Shopper, filme que concorreu à Palma de Ouro e levou o prêmio de direção no Festival Internacional de Cinema de Cannes, mas que teve uma recepção bastante negativa, sendo vaiado em sua primeira sessão.

No longa, Maureen (Stewart) é uma médium que vive em Paris e, ainda abalada pela morte de seu irmão gêmeo Lewis, aguarda um sinal deste – como eles haviam combinado que o primeiro a falecer faria. Assim, ela passa dias na antiga casa de Lewis, na esperança de que ele lhe dê uma prova de que há vida após a morte. Para se manter lá, ela trabalha como compradora de roupas e acessórios para uma celebridade, enquanto o seu namorado insiste que ela vá morar com ele em outro país e pare de esperar por algo que parece improvável de acontecer.

Em Personal Shopper, o espectador acompanha o dia a dia de uma Maureen que não sabe exatamente no que acreditar, mas que também se recusa a perder as esperanças. O seu cotidiano, no entanto, começa a mudar quando ela se depara com o perturbador espectro de uma mulher na casa de seu irmão e passa a receber misteriosas mensagens de texto em seu celular, de um número desconhecido que recusa se identificar.

A partir de então, o que poderia ser um instigante filme de suspense acaba tendo passagens um tanto entediantes, com longas cenas focadas apenas em trocas de mensagens e compras de roupas. Em certo momento, é como se o desconhecido começasse a tomar o papel de confidente de Maureen.

Por outro lado, há momentos que prendem a atenção da plateia, deixando-a ansiosa para saber o desenrolar da trama. O problema é que muitas vezes esse desenrolar não é tão empolgante quanto o esperado. O desvendamento de um crime, por exemplo, é um tanto previsível e revelado de maneira pouco surpreendente.

Contudo, Stewart entrega uma boa atuação, fazendo transparecer as inseguranças e ansiedades da personagem. A mistura de drama, suspense e terror – as cenas com espíritos são arrepiantes e muito bem feitas – também funciona e o desfecho foge do comum, deixando perguntas abertas e incitando a reflexão do próprio espectador. Portanto, Personal Shopper pode não ser o melhor trabalho de Assayas, deixando a desejar em vários pontos, mas tem seus méritos.

Nota: 6

Oscar 2017 – Vencedores e apostas

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Por Rodrigo Oliveira

Constrangedora e lamentável, a 89ª edição do Oscar foi precisamente isso, devido a seus sucessivos equívocos. Saliento que não me refiro apenas à troca de envelopes na categoria mais importante da noite, mas também às refutáveis escolhas da Academia.

Premiar Moonlight – Sob a Luz do Luar como Melhor Filme foi o ato mais grotesco que os votantes poderiam cometer. Longa-metragem evocativo e imageticamente pretensioso, imerso em uma narrativa repleta de nulidades. Pensando no contexto atual o filme é puro hype; já enquanto cinema, a obra apenas aclimata causos mal engendrados. Considero-o um grande engodo. Essa escolha viola, em especial, os entendedores e leais amantes do cinema estadunidense.

Não estenderei mais o meu discurso de enorme decepção, por isso segue a minha lista de apostas. Ressalto que não previ os ganhadores das categorias de curtas-metragens e documentários de longa por não ter acesso a todo o material indicado.

Filme: Moonlight – Sob a Luz do Luar (apostei em La La Land – Cantando Estações)
Diretor: Damien Chazelle, por La La Land – Cantando Estações
Ator: Casey Affleck, por Manchester à Beira-Mar
Atriz: Emma Stone, por La La Land – Cantando Estações
Ator Coadjuvante: Mahershala Ali, por Moonlight – Sob a Luz do Luar
Atriz Coadjuvante: Viola Davis, por Um Limite Entre Nós
Roteiro Original: Manchester à Beira-Mar, Kenneth Lonergan  (apostei em La La Land – Cantando Estações)
Roteiro Adaptado: Moonlight – Sob a Luz do Luar, Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney
Filme Estrangeiro: O Apartamento
Animação: Zootopia – Essa Cidade é o Bicho
Fotografia: La La Land – Cantando Estações, Linus Sandgren
Montagem: Até o Último Homem, John Gilbert (apostei em La La Land – Cantando Estações)
Direção de Arte: La La Land – Cantando Estações, David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco
Figurino: Animais Fantásticos e Onde Habitam, Colleen Atwood (apostei em Jackie)
Trilha Sonora Original: La La Land – Cantando Estações, Justin Hurwitz
Canção Original: City of Stars, de La La Land – Cantando Estações, Benj Pasek e Justin Paul (letra); Justin Hurwitz (música)
Mixagem de Som: Até o Último Homem, Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (apostei em La La Land – Cantando Estações)
Edição de Efeitos Sonoros: A Chegada, Sylvain Bellemare (apostei em La La Land – Cantando Estações)
Efeitos Visuais: Mogli – O Menino Lobo, Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon
Maquiagem e Penteado: Esquadrão Suicida, Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson

Agora a minha famigerada síntese do melhor e do pior da noite.

Momento predileto

best-moment

Kenneth Lonergan levando a estatueta dourada por seu lindo roteiro original. Manchester à Beira-Mar é uma obra-prima; filme cuja grandeza é potencializada pela virtuosidade de cada diálogo e rubrica ali integrante.

Momento decepcionante

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Emma Stone exibe uma atuação correta em La La Land – Cantando Estações. A sua doçura conta pontos a favor, mas ganhar o prêmio em uma categoria onde Isabelle Huppert compõe o time de indicadas é inconcebível.

special-moment

Num ano em que apostei todas as fichas em La La Land – Cantando Estações e o descontentamento, ao menos para mim, dominou a noite, só me resta terminar esse post exibindo um outro momento lindo, a presença de Michael J. Fox, o imorredouro Marty McFly, do filme De Volta Para o Futuro.

A vantagem de testemunhar uma premiação tão execrável, excluindo alguns raros acontecimentos, é pensar que em 2018 será melhor. Ou esse ano marca o começo do declínio absoluto da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas?